Bélgica não esquece Mundial e vota contra reeleição de Infantino na FIFA

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A Real Federação Belga de Futebol (RBFA) emitiu, ao final da manhã desta segunda-feira, um comunicado no qual fez saber que “não pode apoiar a candidatura de Gianni Infantino a mais um mandato como presidente da FIFA”, devido a dois recentes casos “fundamentais” nos quais o dirigente “não demonstrou, até à data, transparência”.

O primeiro dos quais diz respeito ao “caso da FIFA Forward Enterprise” (FFE), subsidiária que o advogado ítalo-suíço pretendia criar com o objetivo de concentrar as operações comerciais das competições que o organismo organiza (entre elas, o Campeonato do Mundo) e que seria aberta a investimento privado, sem qualquer consulta prévia.

“A RBFA assinala que, neste tema, uma série de decisões e avaliações importantes não foram, até à data, suficientemente substanciadas por justificações adequadas. Isto levanta questões quanto à transparência e governação deste processo. Permanecemos em contacto próximo com a UEFA, e, juntos, estamos a procurar respostas claras sobre o processo de tomada de decisão e os próximos passos”, pode ler-se.

“No caso em curso a propósito do cartão vermelho de Folarin Balogun, no Campeonato do Mundo, no qual a RBFA está diretamente envolvida, questões importantes permanecem por responder, na nossa visão. Apesar dos nossos pedidos explícitos por uma justificação clara sobre as decisões tomadas e detalhes sobre como situações destas serão geridas, no futuro, ainda não recebemos quaisquer respostas satisfatórias. Uma vez mais, a RBFA acredita que completa transparência e explicações claras são essenciais”, acrescenta.

A terminar, o organismo sublinha que é “essencial que casos como estes sejam geridos de uma maneira transparente e rigorosa, nos melhores interesses da FIFA, da boa governação e da credibilidade do futebol internacional, com claras salvaguardas para o futuro”.

“As nossas questões permanecem sem resposta”

A própria presidente da RBFA, Pascale Van Damme, não se coibiu de apontar o dedo a Gianni Infantino: “A minha equipa comunicou com a FIFA de uma maneira composta e construtiva, tanto durante como depois do Mundial, de forma a obter clareza sobre o caso de Balogun. Dois meses depois dos factos, notamos que as nossas questões permanecem sem resposta, até à data”.

“Dada a importância da transparência e da clareza para todas as partes envolvidas, pedimos as explicações necessárias, e, ao mesmo tempo, pretendemos explorar onde é que melhorias aos processos atuais são possíveis, para que casos semelhantes possam ser geridos de uma maneira clara, consistente e eficiente, no futuro”, apontou.

“Juntamente com a UEFA, as outras confederações e as federações nacionais, permanecemos comprometidos com a transparência na tomada de decisões, na forte governação e nos processos claros. Permanecemos abertos a cooperação construtiva, no interesse da confiança, da integridade e do futuro do futebol”, completou.

Infantino vai a votos apesar da contestação

A tomada de posição por parte da RBFA surge menos de 24 horas depois de um porta-voz da FIFA ter comunicado à agência noticiosa AFP que Gianni Infantino vai mesmo apresentar-se a votos, pese embora esteja ‘debaixo de fogo’, como resultado das várias polémicas que derivaram do Campeonato do Mundo.

As eleições para a presidência do organismo que rege o futebol internacional, recorde-se, estão agendadas para 18 de março de 2027, sendo que o prazo para a entrega de candidaturas termina já no próximo dia 18 de novembro.

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